Mais de 2 mil pessoas celebram festa tradicional na ilha de Qiaoao
Procissão com dois séculos de história, comidas locais e oficinas de artesanato marcam o Dia do Patrimônio Cultural em Zhuhai.

A ilha de Qiaoao (淇澳岛), um antigo vilarejo no coração de Zhuhai, abriu seus caminhos de pedra para mais de 2 mil moradores e turistas no dia 19 de junho. A ocasião: o Festival do Barco-Dragão, celebrado em toda a China, transformado aqui em procissão que atravessa séculos de história local.
Quando os tambores soaram em frente ao Templo Ancestral de Qiaoao (淇澳祖庙), começou uma jornada de mais de 200 anos. A procissão passou pelo Pavilhão Wenchang (文昌阁) e pelo Templo da Deusa Mazu (天后宫), pisando na Rua de Pedra Branca (白石街) — a mesma por onde os aldeões de Qiaoao resistiram aos britânicos em 1833. Não é um passeio turístico: é um ato de memória.
"Enquanto outros lugares fazem regatas de barcos-dragão, aqui a gente procissiona para pedir bênçãos", explica Cai Yinjie (蔡银结), historiador da tradição local. Os pedidos são simples: paz, colheitas fartas, estabilidade. A procissão, reconhecida como patrimônio cultural municipal desde 2013 e estadual desde 2015, perpetua a determinação dos ancestrais.
Enquanto a procissão se afastava, a Praça de Qiaoao (淇澳广场) fervia de vida. Duas lendas gastronômicas locais dominavam a cena: o Bolo de Chá de Tangjia (唐家湾茶果) e a Confeitaria Maiji (麦记饼艺). Recém-cozidos, macios, adoçados — os bolos de chá saíram dos vaporizadores perfumando o ar. Ao lado, doces caseiros crocantes e aromáticos atraíam filas.
Mas a feira não era apenas comida. Havia demonstração de Tai Chi da Família Hong (洪氏太极拳), restauração de arte tradicional cantonesa (岭南苏裱), terapia com linhas medicinais, molho de camarão prata. Mais de 500 pessoas participaram de oficinas práticas: dobravam folhas de bambu para fazer bolinhos de arroz glutinoso, pintavam leques de papel, montavam mosaicos.
"Antes eu achava que patrimônio cultural era coisa de museu, atrás de vidro", disse uma visitante, Wang (王女士). "Hoje dobrei as folhas com minhas mãos, pintei um leque. Essas artes antigas estão vivas." A experiência incluía levar para casa o que se criava: um souvenir que não é comprado, mas feito.
A Praça de Qiaoao exibiu também os 9 projetos de patrimônio imaterial da região de alta tecnologia de Zhuhai (珠海高新区). Visitantes respondiam a quizzes e aprendiam sobre as tradições locais enquanto se divertiam.
Yang Xiyun (杨细云), diretora do Centro de Serviços Culturais da região de alta tecnologia, observa que a procissão de Qiaoao atrai cada ano mais turistas. "Estamos escavando todo o potencial de patrimônio imaterial da região, conectando tradição, educação, artesanato e turismo. Queremos que Zhuhai se torne um centro de preservação das artes cantonesas na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau."
Com informações de zhuhai.gov.cn
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