Macau define roteiro para integração com Hengqin até 2030
Novo plano quinquenal prevê metrô ligando as duas margens, cidade universitária conjunta e meta de que 65% da economia venha de setores inovadores

O governo da Região Administrativa Especial de Macau divulgou no dia 18 de agosto o seu Terceiro Plano Quinquenal (2026-2030). O documento, que traça as diretrizes econômicas e sociais para a próxima metade da década, coloca a integração com a vizinha Hengqin como a chave para diversificar a economia local. A publicação estabelece prazos claros e metas concretas para transformar a área conjunta em um novo polo de desenvolvimento.
Para o leitor brasileiro que acompanha a região, a novidade mais tangível está nos transportes. O plano confirma estudos para a construção da linha L1 do metrô leve de Hengqin. A ideia é conectar pontos estratégicos como a Fronteira de Hengqin (横琴口岸), a estação de trem de alta velocidade e o complexo residencial Macau New Neighborhood (澳门新街坊). O objetivo final é operar essa linha em conjunto com o metrô de Macau, criando uma rede única que elimina a barreira física entre os dois lados da fronteira.
Além dos trilhos, a infraestrutura rodoviária também deve evoluir. Estão previstos novos canais de travessia entre a Ilha Financeira de Hengqin e a Península de Macau, além de uma nova fronteira inteligente para o campus da Universidade de Macau em Hengqin. Para quem chega de fora, o plano inclui a participação na ferrovia de alta velocidade que ligará Guangzhou a Zhuhai e Macau, integrando definitivamente a região à malha nacional chinesa.
No campo educacional, surge o projeto da Cidade Internacional de Educação de Macau-Hengqin (澳琴国际教育(大学)城). A construção será feita em três etapas: as aulas começam em 2026, o campus da Universidade de Macau entra em operação teste em 2028 e, até 2030, estarão prontas as estruturas principais para a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau. A medida visa ampliar o espaço físico para o ensino superior macaense, hoje limitado pela geografia da península.
A logística também ganha um componente aéreo importante. Está prevista a conclusão, no primeiro semestre de 2027, do terminal de carga antecipado do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin. A estrutura terá capacidade para processar 300 mil toneladas de mercadorias por ano, facilitando a exportação de produtos fabricados na zona de cooperação e fortalecendo o hub aéreo do oeste do Delta do Rio das Pérolas.
Do ponto de vista econômico, a meta é ambiciosa: até 2030, os setores de turismo e convenções, saúde tradicional chinesa, finanças características, pesquisa tecnológica e manufatura avançada devem representar pelo menos 65% do Produto Interno Bruto da zona de cooperação. Para atingir esse número, o plano aposta na simplificação de regras, permitindo que produtos com o selo "Desenhado em Macau" ou "Supervisionado em Macau" circulem com menos burocracia.
O Chefe do Executivo de Macau, Cen Haohui (岑浩辉), destacou que a profundidade dessa integração depende tanto da conexão física quanto da harmonização legal. O documento prevê a criação de mecanismos para compartilhar receitas fiscais entre Guangdong e Macau, além de permitir que mais servidores públicos macaenses atuem diretamente na administração de Hengqin. A intenção é criar um ambiente onde as regras comerciais e civis se assemelhem cada vez mais às de Macau, facilitando a vida de empresas e residentes.
Para os brasileiros que vivem ou fazem negócios na região, as mudanças na fronteira prometem mais agilidade. O plano propõe expandir o uso de sistemas de inspeção sem necessidade de apresentação de documentos físicos e otimizar faixas exclusivas para veículos, reduzindo o tempo de espera nas pontes. A tendência é que a distinção entre estar em Macau ou em Hengqin se torne cada vez menos perceptível no dia a dia.
Com informações de hengqin.gov.cn
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