Chen Fang e a vila de Meixi
Um menino pobre de Xiangzhou foi para o Havaí, virou o chinês mais rico do reino e voltou para construir uma vila que ainda está de pé.

A história começa como a de tantos outros emigrantes do delta: pobreza, um barco e o Havaí. Chen Fang (陳芳) nasceu em 1825 na vila de Meixi, em Xiangshan, e partiu ainda jovem para o Reino do Havaí — então uma monarquia independente, décadas antes de virar território americano.
Do comércio de açúcar à corte real
No Havaí, Chen Fang prosperou no comércio e, sobretudo, na plantação e no processamento de açúcar, que na segunda metade do século XIX era o motor da economia havaiana. Tornou-se um dos homens mais ricos do reino, próximo da corte, e chegou a atuar como uma espécie de representante extraoficial dos interesses chineses junto à monarquia havaiana — um papel que, para um imigrante chinês da época, era excepcional em qualquer parte do mundo.
A comunidade chinesa no Havaí do século XIX era pequena mas influente no comércio, e Chen Fang foi a figura mais proeminente dela. Casou-se com uma mulher de família havaiana ligada à realeza, o que reforçou sua posição social — um detalhe incomum o bastante para ter sido registrado pelos cronistas da época.
O retorno à vila
Como muitos emigrantes bem-sucedidos, Chen Fang não cortou o vínculo com a terra natal. Voltou a Xiangshan e investiu parte da fortuna feita no Havaí na sua vila de origem: construiu uma residência ampla e financiou obras que elevaram o status de Meixi entre as aldeias vizinhas. A dinastia Qing reconheceu sua contribuição concedendo-lhe honrarias formais — entre elas, o direito de erguer arcos memoriais (牌坊), um privilégio reservado a quem prestava serviço reconhecido ao império ou se destacava por conduta exemplar.
O que ainda está de pé
Os Arcos de Meixi (梅溪牌坊) são o que restou desse capítulo, e é o motivo pelo qual a história de Chen Fang ainda é visitável e não só lida em livro. Ficam na vila de Meixi, no que hoje é o distrito de Xiangzhou, junto ao que sobrou do casario e do complexo residencial que ele construiu. É um dos poucos lugares em Zhuhai onde a conexão entre a cidade contemporânea e a diáspora chinesa do século XIX pode ser vista, não só contada — e é também o registro mais antigo e mais concreto de um padrão que se repete na história da cidade: gente que saiu pobre, prosperou fora e voltou para deixar algo construído.
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