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quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Horário de Zhuhai
1825–1906

Chen Fang e a vila de Meixi

Um menino pobre de Xiangzhou foi para o Havaí, virou o chinês mais rico do reino e voltou para construir uma vila que ainda está de pé.

Históriaxiangzhou
Arco de Meixi (梅溪牌坊)
Yumeto · CC BY-SA 4.0

A história começa como a de tantos outros emigrantes do delta: pobreza, um barco e o Havaí. Chen Fang (陳芳) nasceu em 1825 na vila de Meixi, em Xiangshan, e partiu ainda jovem para o Reino do Havaí — então uma monarquia independente, décadas antes de virar território americano.

Do comércio de açúcar à corte real

No Havaí, Chen Fang prosperou no comércio e, sobretudo, na plantação e no processamento de açúcar, que na segunda metade do século XIX era o motor da economia havaiana. Tornou-se um dos homens mais ricos do reino, próximo da corte, e chegou a atuar como uma espécie de representante extraoficial dos interesses chineses junto à monarquia havaiana — um papel que, para um imigrante chinês da época, era excepcional em qualquer parte do mundo.

A comunidade chinesa no Havaí do século XIX era pequena mas influente no comércio, e Chen Fang foi a figura mais proeminente dela. Casou-se com uma mulher de família havaiana ligada à realeza, o que reforçou sua posição social — um detalhe incomum o bastante para ter sido registrado pelos cronistas da época.

O retorno à vila

Como muitos emigrantes bem-sucedidos, Chen Fang não cortou o vínculo com a terra natal. Voltou a Xiangshan e investiu parte da fortuna feita no Havaí na sua vila de origem: construiu uma residência ampla e financiou obras que elevaram o status de Meixi entre as aldeias vizinhas. A dinastia Qing reconheceu sua contribuição concedendo-lhe honrarias formais — entre elas, o direito de erguer arcos memoriais (牌坊), um privilégio reservado a quem prestava serviço reconhecido ao império ou se destacava por conduta exemplar.

O que ainda está de pé

Os Arcos de Meixi (梅溪牌坊) são o que restou desse capítulo, e é o motivo pelo qual a história de Chen Fang ainda é visitável e não só lida em livro. Ficam na vila de Meixi, no que hoje é o distrito de Xiangzhou, junto ao que sobrou do casario e do complexo residencial que ele construiu. É um dos poucos lugares em Zhuhai onde a conexão entre a cidade contemporânea e a diáspora chinesa do século XIX pode ser vista, não só contada — e é também o registro mais antigo e mais concreto de um padrão que se repete na história da cidade: gente que saiu pobre, prosperou fora e voltou para deixar algo construído.

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