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2021

2021: o Plano de Hengqin e a nova fronteira com Macau

Em 2021, o governo chinês lançou um plano para transformar a ilha de Hengqin, em Zhuhai, numa zona de cooperação aprofundada com Macau — com regras econômicas próprias e jurisdição compartilhada em pontos específicos.

Históriahengqin
Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin (横琴粤澳深度合作区)
Charlie fong · CC BY-SA 4.0

Em setembro de 2021, o governo central chinês publicou o plano para a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin (横琴粤澳深度合作區) — um documento que redesenhou o papel da ilha de Hengqin, até então uma área de expansão urbana relativamente comum de Zhuhai, transformando-a no experimento de integração mais ambicioso entre o continente chinês e Macau desde a devolução de 1999.

Por que Hengqin

Hengqin é uma ilha grande — cerca de três vezes a área da própria Macau — e ficava, até os anos 2000, pouco desenvolvida: canavial, ostreira, manguezal. A proximidade física com Macau, separada por um canal estreito, tornava a ilha o local óbvio para qualquer tentativa de expandir fisicamente o espaço disponível para a economia macaense, historicamente limitada pelo tamanho minúsculo do próprio território de Macau.

O que o plano criou

O plano de 2021 foi além de simplesmente permitir que empresas de Macau se instalassem em Hengqin. Criou um regime econômico híbrido, com incentivo fiscal alinhado ao de Macau para setores prioritários, facilidades para profissionais macaenses trabalharem e residirem na zona, e um objetivo político explícito: diversificar a economia de Macau, historicamente dependente do jogo, atraindo tecnologia, finanças e serviços de saúde para um espaço fisicamente contíguo mas administrativamente diferenciado.

O símbolo mais concreto dessa integração é o campus da Universidade de Macau em Hengqin, inaugurado ainda em 2013, antes do plano de 2021, mas que antecipou exatamente essa lógica: fica em solo continental, mas opera sob jurisdição legal de Macau, com acesso controlado por um túnel próprio que liga o campus diretamente ao território macaense — um arranjo jurídico sem paralelo direto em outro lugar da China.

Uma fronteira pensada para quase não existir

O plano também acelerou investimento em infraestrutura de travessia. O posto de fronteira de Hengqin opera com inspeção conjunta, sistema em que autoridades de Macau e do continente compartilham o mesmo prédio e o viajante passa por um único controle em vez de dois — mais rápido que o modelo tradicional de Gongbei — e funciona 24 horas.

Passadas poucas décadas do modelo original de Zona Econômica Especial que fez de Zhuhai o que ela é, o Plano de Hengqin repete a lógica fundadora de 1980 — usar proximidade com Macau como vantagem estratégica — só que num grau de integração jurídica e econômica que a Zhuhai de 1980 não teria como imaginar.

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