2018: a ponte que ligou Zhuhai a Hong Kong
A ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau levou mais de nove anos para ficar pronta e é a maior travessia marítima do mundo — e colocou Hong Kong a menos de uma hora de Zhuhai pela primeira vez na história.

Até 2018, ir de Zhuhai a Hong Kong por terra era, na prática, inviável em prazo curto: a rota exigia contornar toda a foz do Rio das Pérolas ou depender de balsa. A ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (港珠澳大橋) resolveu isso, e resolveu numa escala que a colocou entre as maiores obras de engenharia civil já construídas.
Uma obra de nove anos
A construção começou em 2009 e levou pouco mais de nove anos, num esforço conjunto entre os governos de Hong Kong, Macau e do continente chinês — a própria natureza tripartite do projeto, atravessando três jurisdições distintas dentro do mesmo país, foi parte do que tornou a obra tecnicamente e administrativamente complexa. A ponte foi formalmente aberta ao tráfego em 23 de outubro de 2018.
O resultado são 55 quilômetros de ponte, viaduto e túnel submerso, incluindo um trecho de 6,7 quilômetros sob a água — necessário para não obstruir uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo, na aproximação ao porto de Hong Kong — ligado à superfície por duas ilhas artificiais construídas especificamente para a obra.
O que mudou na prática
Antes da ponte, a viagem entre Zhuhai e Hong Kong por qualquer via disponível levava várias horas. Depois dela, um ônibus de linha faz a travessia da ponte propriamente dita em cerca de 40 minutos, reduzindo o trajeto total a pouco mais de uma hora em condições normais. Isso teve efeito direto sobre turismo, negócio e mobilidade de trabalho em toda a região — de repente, um morador de Zhuhai podia considerar o aeroporto de Hong Kong uma opção prática de embarque internacional, e um visitante de Hong Kong podia conhecer Zhuhai num bate-volta de um dia.
A ponte também é hoje parte da identidade visual da cidade: aparece com regularidade em material de divulgação de Zhuhai, e o trecho onde ela toca o continente, numa ilha artificial ao largo da costa, virou ele mesmo um ponto de referência. Mais do que uma obra de engenharia, a ponte é o símbolo mais visível de uma ideia que viria a se tornar política oficial poucos anos depois: transformar o delta do Rio das Pérolas — Guangdong, Hong Kong e Macau juntos — numa única região econômica integrada, a que a China batizaria de Grande Baía.
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